Calores, sono ruim e irritação: o que ninguém te contou sobre o climatério
Os sintomas têm nome, têm explicação hormonal e têm tratamento. Não é coisa da sua cabeça e não é algo a suportar em silêncio.
A cena se repete no consultório. A mulher chega dizendo que anda sem paciência, que acorda três vezes por noite, que sente uma onda de calor no meio de uma reunião e precisa abrir a janela. E quase sempre vem a frase: "será que é normal ou está tudo na minha cabeça?"
Não está na sua cabeça. O que você sente tem explicação e tem tratamento.
O que está acontecendo no corpo
O climatério é a fase de transição em que os ovários vão reduzindo a produção de estrogênio. Essa queda não é uma linha reta: ela oscila, e é justamente a oscilação que produz os sintomas. Por isso um mês pode ser tranquilo e o seguinte, difícil.
O estrogênio participa de muito mais coisas do que da menstruação. Ele influencia o centro que regula a temperatura, a qualidade do sono, o humor, a lubrificação vaginal, a densidade óssea e a saúde dos vasos. Quando ele cai, tudo isso sente.
Os sintomas que mais aparecem
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Calores e suores noturnos. Ondas súbitas de calor no rosto, no peito e no pescoço, às vezes seguidas de calafrio. À noite, molham o pijama e cortam o sono. -
Sono picado. Muitas mulheres não têm dificuldade de dormir, e sim de continuar dormindo. Acordar às três da manhã e não voltar a pegar no sono é queixa clássica. -
Irritação e choro fácil. Sem paciência para o que antes não incomodava. Parte disso é hormonal, parte é consequência de meses dormindo mal. -
Secura e dor na relação. A mucosa fica mais fina e menos lubrificada. É um dos sintomas menos falados e um dos mais tratáveis. -
Ciclos irregulares. Menstruação que atrasa, adianta, vem mais forte ou mais fraca. Faz parte da transição, mas sangramento muito volumoso ou fora de padrão precisa ser avaliado. -
Memória e concentração. A sensação de "névoa mental" costuma melhorar quando o sono melhora.
Nenhum desses sintomas precisa ser suportado como se fosse pedágio da idade. Existem condutas com e sem hormônio, e a escolha depende do seu histórico.
O que se avalia na consulta
Antes de qualquer tratamento vem uma conversa sobre quais sintomas mais atrapalham o seu dia. Duas mulheres na mesma fase podem precisar de coisas diferentes: uma quer dormir, outra quer parar de ter calor no trabalho, outra quer voltar a ter relação sem dor.
Depois entram os exames de rotina desta fase, pedidos com critério, e a avaliação de fatores que mudam as opções seguras: pressão, histórico de trombose, enxaqueca com aura, tabagismo, história de câncer de mama na família e saúde óssea.
Sobre a reposição hormonal
A terapia hormonal é uma opção eficaz para muitas mulheres, especialmente quando iniciada nos primeiros anos da transição. Não é para todas, e não é proibida para todas · essas duas frases extremas circulam há décadas e as duas estão erradas.
Existem também caminhos não hormonais para calores, sono e humor, e tratamentos locais para a secura vaginal que agem só onde precisam. O que define a conduta é o seu quadro, não a moda do momento.
Quando não esperar a próxima consulta de rotina
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Sangramento após um ano sem menstruar -
Sangramento muito volumoso ou com coágulos, ou que dura mais do que o habitual -
Dor na relação que está fazendo você evitar a intimidade -
Sono ruim há meses, com prejuízo no trabalho e no humor
O resumo
Climatério não é doença, mas os sintomas dele são tratáveis. Chegar à consulta sabendo dizer o que mais incomoda no seu dia é o que faz a conversa render.
Na consulta os sintomas que mais incomodam o seu dia são avaliados um por um, e o plano é montado com você.
